A tecnologia já faz parte de tarefas que antes dependiam de atendimento presencial, papel ou ajuda de terceiros. Assim, o Doutor Yuri Silva Portela, pós-graduado em geriatria, expressa que essa transformação pode facilitar o acesso de pessoas idosas a serviços, comunicação e informações, mas também criar obstáculos quando aplicativos, caixas eletrônicos e plataformas digitais não consideram diferentes níveis de familiaridade. Por isso, discutir inclusão digital também significa pensar em autonomia e participação social na terceira idade.
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Quando a tecnologia aumenta a autonomia?
Pagar uma conta pelo celular, marcar uma consulta, conversar com familiares distantes ou acessar informações são atividades que podem se tornar mais simples com recursos digitais. Para o idoso que domina essas ferramentas, a tecnologia reduz deslocamentos e permite resolver tarefas sem depender constantemente de outras pessoas. Além da praticidade, esse acesso pode facilitar a participação em atividades sociais e a utilização de serviços do cotidiano.
Como destaca o Doutor Yuri Silva Portela, essa autonomia, porém, não surge apenas porque determinado serviço foi digitalizado. É preciso que o usuário consiga compreender a plataforma, localizar as informações necessárias e concluir a tarefa com segurança. Interfaces confusas, letras pequenas, excesso de etapas e mudanças frequentes nos aplicativos podem dificultar uma atividade que deveria ser simples. Quando essas barreiras se acumulam, uma ferramenta criada para facilitar pode acabar aumentando a necessidade de ajuda.
Por isso, a inclusão digital não significa apenas oferecer acesso à internet ou disponibilizar um aplicativo. Também envolve criar condições para que diferentes pessoas consigam utilizar esses recursos. Essa diferença é importante porque ajuda a explicar por que a mesma tecnologia pode representar liberdade para alguns e dependência para outros. Garantir orientação e acessibilidade é, portanto, parte importante para que a transformação digital não deixe pessoas idosas para trás.
Por que alguns idosos enfrentam mais dificuldades?
A familiaridade com ferramentas digitais costuma variar bastante entre as pessoas. Um idoso que utiliza celular diariamente pode ter facilidade com aplicativos, enquanto outro pode encontrar dificuldades até mesmo para identificar determinadas funções. Experiências anteriores, escolaridade, acesso a dispositivos e oportunidades de aprendizagem também podem influenciar essa relação. Por isso, oferecer orientação adequada pode ser tão importante quanto disponibilizar o próprio recurso tecnológico.

O Doutor Yuri Silva Portela avalia que existe ainda uma barreira relacionada à segurança. Golpes digitais, mensagens falsas e solicitações de dados pessoais podem gerar medo ou desconfiança. Ao mesmo tempo, uma pessoa que não conhece determinados riscos pode acabar clicando em links ou compartilhando informações sem perceber as consequências. Aprender a reconhecer abordagens suspeitas e verificar a origem das mensagens ajuda a utilizar a tecnologia com mais segurança e confiança.
O que torna uma ferramenta digital mais acessível? Saiba agora com o Doutor Yuri Silva Portela
Uma interface acessível precisa facilitar a leitura e reduzir a quantidade de informações que o usuário precisa processar ao mesmo tempo. Letras legíveis, comandos claros, contraste adequado e etapas organizadas podem ajudar pessoas com diferentes níveis de experiência digital. Recursos de acessibilidade também podem tornar a navegação mais confortável para quem apresenta limitações visuais, motoras ou cognitivas.
Conforme o Doutor Yuri Silva Portela, também é importante considerar que a acessibilidade não termina no desenho da tela. Um serviço pode ter um aplicativo simples, mas continuar excludente se não oferecer alternativas para quem enfrenta dificuldades. Manter canais de atendimento, orientação presencial ou suporte por telefone pode fazer diferença durante a transição para processos digitais. Essas opções permitem que o usuário tenha apoio sem precisar abandonar completamente o serviço por não conseguir utilizar a plataforma.
Esse cuidado se torna ainda mais relevante na área da saúde. Agendamento de consultas, resultados de exames e comunicação com serviços podem depender de plataformas digitais. Se uma parcela da população não consegue utilizá-las, a digitalização pode criar uma nova barreira justamente onde o acesso deveria ser ampliado. No fim, soluções digitais na saúde precisam ser acompanhadas de alternativas que considerem diferentes níveis de acesso e familiaridade tecnológica.