Iniciativa apresentada por Xi Jinping durante conferência em Xangai busca criar regras globais para o desenvolvimento da IA.
A disputa global pela liderança em inteligência artificial ganhou um novo capítulo. O presidente da China, Xi Jinping, anunciou a criação da Organização Mundial para Cooperação em Inteligência Artificial, uma nova instituição internacional com sede em Xangai que busca estabelecer uma governança multilateral para a tecnologia e consolida o protagonismo chinês na definição das regras globais do setor. O anúncio foi feito durante um dos maiores encontros do setor no mundo. Brasil 247
O contexto do anúncio na WAIC 2026
A Conferência Mundial de Inteligência Artificial, realizada entre os dias 17 e 20 de julho, reúne chefes de Estado, pesquisadores, executivos das principais empresas do setor e representantes de organismos internacionais, sendo considerada um dos mais importantes encontros globais sobre o tema. A edição deste ano ganhou relevância extra justamente por marcar o nascimento dessa nova instituição dedicada exclusivamente à governança da IA em escala internacional. Brasil 247
Durante o discurso de abertura, o presidente chinês defendeu que o momento atual exige respostas coordenadas entre países. Em seu discurso, Xi afirmou que o mundo vive um momento decisivo para responder aos desafios trazidos pela rápida evolução da inteligência artificial, incluindo questões relacionadas à segurança, ética, emprego, tomada de decisões por algoritmos e redução das desigualdades tecnológicas entre países. Brasil 247
O objetivo declarado da nova organização
A China procura posicionar a nova organização como uma plataforma voltada para reduzir o chamado abismo tecnológico entre economias desenvolvidas e emergentes, oferecendo mecanismos de cooperação científica, capacitação e compartilhamento de tecnologias. A proposta se diferencia de iniciativas ocidentais de regulação da IA, como o AI Act europeu, ao colocar maior ênfase na cooperação técnica com países em desenvolvimento em vez de focar apenas em regras de conformidade. Brasil 247
Durante a conferência, Xi também anunciou programas de treinamento em inteligência artificial para milhares de profissionais de países em desenvolvimento e novas iniciativas de cooperação com blocos como BRICS, ASEAN e União Africana. Essa movimentação sinaliza uma estratégia de longo prazo para ampliar a influência chinesa entre países emergentes através da transferência de conhecimento tecnológico, em um momento em que a corrida pela IA se tornou também uma disputa geopolítica. Brasil 247
O que essa movimentação significa para o cenário global
A criação de uma organização multilateral liderada pela China chega em um momento em que diferentes blocos econômicos tentam construir suas próprias estruturas de governança para a inteligência artificial, cada um com prioridades distintas. Enquanto a União Europeia aposta em regras rígidas de conformidade e responsabilização, a proposta chinesa aposta em cooperação e capacitação como forma de ganhar espaço entre economias emergentes, incluindo parceiros do Brasil dentro do bloco BRICS.
Para o mercado de tecnologia, esse tipo de iniciativa tende a influenciar diretamente o ritmo de adoção e regulação da IA em diferentes países nos próximos anos, já que a ausência de um consenso internacional único abre espaço para que blocos regionais sigam caminhos regulatórios diferentes. Resta saber se a nova organização conseguirá atrair adesão de países que hoje seguem mais próximos das regras propostas por Estados Unidos e Europa, ou se vai consolidar um bloco alternativo de governança tecnológica ao lado do BRICS e de outras economias emergentes.
Fonte consultada: Brasil 247