Existe uma pergunta que a ciência do comportamento vem tentando responder há décadas: a de por que algumas pessoas sustentam mudanças alimentares por anos, enquanto outras abandonam o mesmo tipo de plano em poucas semanas. Lucas Peralles, nutricionista esportivo e fundador do Método LP, retrata que a resposta encontrada por pesquisadores não está relacionada à quantidade de motivação que cada pessoa possui, mas sim ao tipo de motivação que sustenta esse comportamento desde o início.
Esse campo de estudo, conhecido como teoria da autodeterminação, distingue motivação controlada, imposta por pressões externas como cobrança familiar, comparação social ou puramente estética, de motivação autônoma, que nasce de valores genuinamente internalizados pela própria pessoa. Não à toa, pesquisas aplicando esse modelo a programas de emagrecimento identificam consistentemente que participantes com maior grau de motivação autônoma sustentam melhor seus resultados ao longo do tempo, enquanto aqueles motivados majoritariamente por pressão externa relatam maior desgaste emocional e abandono mais precoce do processo.
Por que ser cobrado por outra pessoa costuma funcionar pior do que se esperava?
Programas de emagrecimento tradicionais frequentemente utilizam pressão externa como ferramenta motivacional, seja por meio de metas rígidas impostas de fora, seja através de comparações constantes com outros pacientes. Pesquisas mostram, no entanto, que esse tipo de abordagem tende a gerar apenas motivação controlada, aquela que funciona enquanto a pressão externa está presente, mas que se dissolve rapidamente assim que o acompanhamento termina ou a cobrança diminui.
Em contraste, quando o próprio paciente compreende e assume como seus os motivos por trás de cada mudança alimentar, a motivação passa a ser sustentada de dentro para fora, tornando-se muito mais resistente a momentos de baixa energia, estresse ou imprevistos ao longo da rotina. Lucas Peralles reforça que essa distinção explica por que dois pacientes recebendo orientações nutricionais tecnicamente idênticas podem apresentar trajetórias completamente diferentes, dependendo unicamente de como cada um se relaciona internamente com aquele plano alimentar, um padrão observado com frequência na prática da Clínica Peralles.
O que realmente sustenta essa motivação autônoma ao longo do tempo?
A teoria da autodeterminação identifica três necessidades psicológicas básicas cuja satisfação parece sustentar esse tipo de motivação mais duradoura, sendo elas a sensação de autonomia sobre as próprias escolhas, a percepção de competência para executar o comportamento desejado e o senso de conexão com outras pessoas ao longo do processo. Quando essas três necessidades são atendidas, mesmo dentro de um acompanhamento nutricional estruturado, a adesão tende a se sustentar de forma muito mais consistente do que quando o paciente apenas segue instruções sem qualquer espaço de participação ativa.

Ao mesmo tempo, estudos mostram que o apoio recebido de parceiros e familiares influencia diretamente esse equilíbrio, sendo que ambientes que respeitam as escolhas da pessoa, em vez de impor controle excessivo sobre sua alimentação, favorecem resultados superiores mesmo após períodos de acompanhamento superiores a um ano. Conforme ressalta o nutricionista esportivo, Lucas Peralles, esse dado reforça a importância de envolver ativamente o paciente na construção do próprio plano alimentar, permitindo ajustes e adaptações, em vez de simplesmente entregar uma lista fechada de regras a serem seguidas sem qualquer margem de personalização.
Isso significa que seguir orientações profissionais sempre reduz a autonomia do paciente?
Curiosamente, não é o acompanhamento profissional em si que compromete a motivação autônoma, mas sim a forma como esse acompanhamento é conduzido. Profissionais que explicam o raciocínio por trás de cada recomendação, permitindo que o paciente compreenda e questione as escolhas propostas, tendem a fortalecer justamente o tipo de motivação mais resistente ao tempo, enquanto abordagens excessivamente diretivas e pouco explicativas produzem o efeito oposto.
Esse é, dentre o que salienta Lucas Peralles, um dos princípios centrais que orientam o Método LP desde sua concepção, priorizando sempre a construção de entendimento, e não apenas a entrega de instruções prontas. Dentro da Clínica Peralles, cada ajuste no plano alimentar é acompanhado da explicação do porquê daquela mudança, permitindo que o paciente desenvolva progressivamente maior autonomia sobre as próprias decisões alimentares.
Como aplicar essa descoberta científica no dia a dia de qualquer processo de mudança?
Reconhecer a diferença entre motivação controlada e motivação autônoma ajuda a explicar por que tantas pessoas relatam sucesso temporário seguido de abandono completo do processo, especialmente quando a mudança foi motivada principalmente por pressão externa ou comparação social. O caminho mais sustentável parece ser justamente o oposto, construindo aos poucos uma compreensão genuína dos motivos pessoais por trás de cada escolha alimentar.
Sendo assim, essa é uma das razões pelas quais o acompanhamento nutricional bem conduzido vai muito além de prescrever cardápios, funcionando também como um processo educativo contínuo. Por fim, Lucas Peralles demonstra que ajudar o paciente a encontrar suas próprias razões para mudar, em vez de impor razões externas, é o que sustenta a adesão alimentar muito além do período inicial de acompanhamento oferecido pela Clínica Peralles.