Segundo Paulo Roberto Gomes Fernandes, a Linha 5 tornou-se um dos casos mais emblemáticos de infraestrutura na América do Norte por concentrar três pressões de grande magnitude: segurança energética, preservação ambiental e diplomacia internacional. Trata-se de um verdadeiro teste de equilíbrio, no qual a solução técnica precisa resistir não apenas a desafios de engenharia, mas também a um ambiente jurídico e regulatório altamente complexo.
O cenário atual: Por que 2026 é decisivo?
De acordo com Paulo Roberto Gomes Fernandes, o debate ganhou novo impulso após a decisão judicial de dezembro de 2025, que impediu o estado de Michigan de desligar unilateralmente o duto. A decisão reafirmou que a segurança de dutos interestaduais é competência federal, mantendo a operação ativa enquanto o foco regulatório se desloca para a etapa final de licenciamento do túnel. Esse contexto torna 2026 um ano decisivo, pois concentra definições técnicas, ambientais e jurídicas que podem determinar o futuro da Linha 5.
O Túnel dos Grandes Lagos: Solução estrutural ou aposta de longo prazo?
A Enbridge defende que o confinamento do duto em um túnel sob o leito do Estreito de Mackinac representa a única solução estrutural capaz de reduzir significativamente os riscos. O argumento central é que o túnel cria uma barreira física contra impactos externos, como colisões de âncoras, e elimina o contato direto da tubulação com a água. No entanto, a análise técnica vai além da concepção do túnel em si.
Conforme explica Paulo Roberto Gomes Fernandes, o desafio crítico está na instalação e na operação do duto em um ambiente confinado por décadas. O projeto precisa garantir controle, rastreabilidade e manutenção viável ao longo do tempo, assegurando que a infraestrutura interna seja tão robusta quanto a estrutura civil que a envolve.

O embate das alternativas: Rodovias, ferrovias e outros dutos
Um dos pontos mais controversos em 2026 é a análise das rotas alternativas. Parte dos críticos argumenta que o transporte por rodovias ou ferrovias poderia reduzir o risco ambiental imediato no Estreito de Mackinac. Em contrapartida, o governo canadense e a Enbridge sustentam que essa mudança elevaria expressivamente as emissões de carbono, distribuiria o risco operacional por milhares de deslocamentos terrestres e aumentaria os custos do propano utilizado para aquecimento regional.
Como enfatiza Paulo Roberto Gomes Fernandes, quando o debate se transforma em uma escolha entre alternativas “menos ruins”, a avaliação técnica precisa ser rigorosa. Substituir um risco concentrado e continuamente monitorado por uma soma de riscos dispersos exige uma análise de custo-benefício que não pode se apoiar apenas em argumentos políticos ou percepções imediatas.
O gargalo do licenciamento federal
O cronograma de 2026 está diretamente vinculado às decisões do U.S. Army Corps of Engineers. Após a publicação do Draft Environmental Impact Statement (DEIS) em 2025, a expectativa é de que a decisão final avance neste ano. A complexidade do processo reflete a sensibilidade do projeto, que envolve o Tratado de 1977 sobre Dutos de Trânsito entre os Estados Unidos e o Canadá, elevando a Linha 5 à condição de tema estratégico de soberania e cooperação bilateral.
A segurança efetiva do projeto depende fundamentalmente do método executivo adotado. Em um túnel extenso e de acesso limitado, a instalação do duto exige precisão extrema, sistemas avançados de inspeção robótica e margens de segurança que permitam intervenções futuras sem comprometer a operação. Para Paulo Roberto Gomes Fernandes, um projeto pode obter respaldo jurídico e apoio político, mas só será bem-sucedido se a solução executiva apresentar repetibilidade, rigor técnico e viabilidade operacional de longo prazo.
O que esperar de 2026?
A Linha 5 deixou de ser uma controvérsia simplificada entre “fechar ou manter” e passou a representar um debate mais pragmático e técnico. Em 2026, a questão central tornou-se identificar qual decisão é capaz de minimizar riscos de forma mensurável, ao mesmo tempo, em que preserva a continuidade da economia regional. Paulo Roberto Gomes Fernandes pontua que a resposta dependerá, em última instância, da qualidade da engenharia aplicada, reforçando a importância de planejamento cuidadoso.
Autor: Dmitri Ivanov