Projetar um quarto infantil é uma das tarefas mais desafiadoras e, ao mesmo tempo, mais gratificantes do design de interiores residencial. Daugliesi Giacomasi Souza, fundadora da DGdecor, apresenta que o quarto da criança precisa ser pensado como um espaço vivo, capaz de estimular a imaginação, garantir segurança e adaptar-se às necessidades que mudam conforme a idade.
Este artigo aborda as principais diretrizes de design para quartos infantis em diferentes fases do desenvolvimento, com atenção à escolha dos móveis, revestimentos, paleta de cores, iluminação e os recursos que tornam o espaço funcional tanto para bebês quanto para crianças em idade escolar e pré-adolescentes.
Como projetar um quarto infantil que evolua com a criança?
Um dos erros mais comuns no planejamento de quartos infantis é projetá-los de forma definitiva para uma fase específica, sem considerar que a criança vai crescer e suas necessidades vão mudar rapidamente. Um quarto decorado com motivos de personagens infantis pode encantar aos dois anos e parecer inadequado aos seis. O investimento em um projeto com essa vida curta raramente compensa.
Daugliesi Giacomasi Souza orienta que a base do projeto deve ser atemporal: paleta de cores neutras, móveis de qualidade com design limpo e revestimentos versáteis que suportem as diferentes fases. Os elementos temáticos e os acessórios personalizados, que respondem ao momento e aos gostos da criança, podem ser introduzidos de forma intercambiável por meio de roupa de cama, tapetes, almofadas e objetos decorativos de fácil substituição.
Quais são as prioridades de design para quartos de bebês e crianças pequenas?
Na fase dos bebês e das crianças em idade pré-escolar, a segurança é o critério que orienta todas as decisões de projeto. Móveis sem quinas vivas, revestimentos atóxicos, tomadas protegidas e materiais de fácil higienização são requisitos básicos que o design não pode ignorar em favor da estética. Ao mesmo tempo, o ambiente precisa ser estimulante, com elementos que favoreçam o desenvolvimento sensorial e motor da criança.

Tal como elucida Daugliesi Giacomasi Souza, fundadora da DGdecor, o piso do quarto de bebê merece atenção especial. Revestimentos que ofereçam conforto térmico e amortecimento para quedas, como o vinílico de alta qualidade, até o carpete de fácil limpeza ou o piso de cortiça, são escolhas que equilibram segurança e estética. A altura dos móveis também deve ser planejada de forma que os itens de uso frequente fiquem acessíveis para a criança desde cedo, estimulando sua autonomia.
Como o design do quarto deve evoluir na fase escolar?
Quando a criança entra na fase escolar, o quarto passa a cumprir uma nova função central: o estudo. Nesse momento, a criação de um espaço dedicado às atividades intelectuais, com mesa em altura adequada, iluminação de tarefa eficiente e organização funcional para livros e materiais, torna-se uma prioridade de design que precisa coexistir com as áreas de brincar e descansar.
Daugliesi Giacomasi Souza recomenda que a marcenaria planejada seja introduzida nessa fase, com módulos que integrem cama, escrivaninha e armazenamento em uma composição compacta e eficiente. Soluções como camas com gavetas embutidas, escrivaninhas com prateleiras modulares e armários com nichos abertos para exposição de objetos pessoais ajudam a criar um espaço que a criança sente como seu, com autonomia para organizar e personalizar.
De que forma o quarto do pré-adolescente exige uma nova abordagem de projeto?
A transição para a pré-adolescência é marcada por uma necessidade crescente de identidade e privacidade. O quarto deixa de ser um espaço de brincar e passa a ser um território pessoal, onde o jovem estuda, descansa, recebe amigos e constrói sua própria linguagem estética. Ignorar essa transformação no projeto é criar um espaço que a criança vai querer abandonar, não habitar.
Como fundadora da DGdecor, Daugliesi Giacomasi Souza defende que essa fase é o momento ideal para envolver o próprio jovem nas decisões de projeto, dentro de uma estrutura orientada pelo designer. Permitir que ele escolha a paleta de cores de um painel de destaque, os objetos decorativos ou o estilo do tapete cria um senso de pertencimento que nenhuma decoração imposta consegue substituir.
Autor: Diego Rodríguez Velázquez